Cecília,
Você crescerá.
Não sei quem você vai ser, não sei quais escolhas fará.
De mim também pouco sei.
Sei apenas o que sinto usando estas asas que você me oferece.
Desde os teus primeiros dias (desculpa, mas eu, por licença poética, por que me parece mais musical, misturo os tratamentos tu e você num mesmo escrito), escrevi a você pois cheguei a pensar que não teríamos uma convivência plena e próxima, por vários motivos familiares externos à nós duas; por que, um dia você vai entender, me nego a ser uma mulher resignada.
Contudo, há algo entre nós que vai além da vontade dos outros. Possivelmente não saberei narrar esse elo, nem quero, na verdade, só sei que tua existência e nosso convívio me fortalecem.
Me dispus a escrever cartas porque do futuro nunca se sabe; do passado, cada qual dos que nos cercam fez sua própria interpretação. E a verdade é que somos o Agora. Por isso te escrevo, te fotografo, te faço uma música... pois enquanto você cresce e eu cresço, tudo muda, nós mudaremos, nós processaremos este convívio que você misturará a outras vivências para ser você, única.
Da nossa história presente, ficarão ecos e retratos.
Cabe a mim fazer com que tais ecos e tais retratos sejam leves e profícuos.
Desde os teus primeiros dias (desculpa, mas eu, por licença poética, por que me parece mais musical, misturo os tratamentos tu e você num mesmo escrito), escrevi a você pois cheguei a pensar que não teríamos uma convivência plena e próxima, por vários motivos familiares externos à nós duas; por que, um dia você vai entender, me nego a ser uma mulher resignada.
Contudo, há algo entre nós que vai além da vontade dos outros. Possivelmente não saberei narrar esse elo, nem quero, na verdade, só sei que tua existência e nosso convívio me fortalecem.
Me dispus a escrever cartas porque do futuro nunca se sabe; do passado, cada qual dos que nos cercam fez sua própria interpretação. E a verdade é que somos o Agora. Por isso te escrevo, te fotografo, te faço uma música... pois enquanto você cresce e eu cresço, tudo muda, nós mudaremos, nós processaremos este convívio que você misturará a outras vivências para ser você, única.
Da nossa história presente, ficarão ecos e retratos.
Cabe a mim fazer com que tais ecos e tais retratos sejam leves e profícuos.
No dia em que soube que você viria, algo em mim ganhou o nome de Paz.
Pela segunda vez na vida olhei para a imensidão e vi com mais clareza aquilo que não se explica.
Olhei para dentro de mim e me vi enorme, me vi ínfima.
Olhei ao redor de mim e me vi parte. Coadjuvante e protagonista.
Quando você chegou, cuidei para não sobrecarregá-la com o ofício de ser minha saída, pois sei que adultos se pegam às crianças como uma terceirização dos seus sonhos ou como uma moeda de troca com a sociedade.
Cuido para não julgar você minha solução na busca pelo meu melhor, mas sua alegria me aponta alguns caminhos para a minha revolução particular como mulher.
Quando você sorri com a maior verdade que existe, à revelia de todas as mazelas do planeta,
o feminino em mim se fortalece, minha força como ser humano ganha combustível,
o feminino em mim se fortalece, minha força como ser humano ganha combustível,
minhas vitórias se desenham.
Você é a onda do mar que me derruba, me alça, me acorda, me carrega.
Respiro e escuto solenemente o discurso dos teus gestos e sons.
Você ensaia, você se prepara, você não entende o medo nem a covardia.
Temo mencioná-la do mesmo modo que um mundano teme o sagrado, o incólume.
Espero que me entenda, caso pareça que estou vendo em você não um bebê,
mas uma escola de vida.
Quisera não lhe dar tamanha responsabilidade, porém você
veio e assim tem sido. Me sinto outra, me sinto mais forte.
De repente, olho as coisas difíceis com mais coragem.
Inspiro. Quando você solfeja sua linguagem livre a descobrir a própria voz, retomo a descoberta da minha, me olho no espelho
e faço música, escrevo poesia, ligo minhas câmeras e sinto no estômago todo o tempo do mundo a me apontar o infinito.
Enquanto você aprende a provar gostos, decifrar os sons. Enquanto suas mini mãos aplaudem o dia que nasce, a noite que vem; enquanto tentas tocar as cores da minha saia florida ao vento.
Enquanto você felicita e gargalha meus passos em direção aos seus braços e olhos que brilham,
percebo que sou alguém neste mundo; entendo que existem tarefas
que vão além das minhas forças, mas apenas vou e faço. Me sinto possível. Nada mais é improvável.
Você vem me falar sobre o sim e o não.
Nada é em vão,
Amor
biAh weRTher
Domingo, 16 out 2016
Na foto: André R. Arieta e Cecília.
10 de janeiro de 2016.
Hospital Divina Providência, Porto Alegre.
por biAhweRTher
Você é a onda do mar que me derruba, me alça, me acorda, me carrega.
Respiro e escuto solenemente o discurso dos teus gestos e sons.
Você ensaia, você se prepara, você não entende o medo nem a covardia.
Temo mencioná-la do mesmo modo que um mundano teme o sagrado, o incólume.
Espero que me entenda, caso pareça que estou vendo em você não um bebê,
mas uma escola de vida.
Quisera não lhe dar tamanha responsabilidade, porém você
veio e assim tem sido. Me sinto outra, me sinto mais forte.
De repente, olho as coisas difíceis com mais coragem.
Inspiro. Quando você solfeja sua linguagem livre a descobrir a própria voz, retomo a descoberta da minha, me olho no espelho
e faço música, escrevo poesia, ligo minhas câmeras e sinto no estômago todo o tempo do mundo a me apontar o infinito.
Enquanto você aprende a provar gostos, decifrar os sons. Enquanto suas mini mãos aplaudem o dia que nasce, a noite que vem; enquanto tentas tocar as cores da minha saia florida ao vento.
Enquanto você felicita e gargalha meus passos em direção aos seus braços e olhos que brilham,
percebo que sou alguém neste mundo; entendo que existem tarefas
que vão além das minhas forças, mas apenas vou e faço. Me sinto possível. Nada mais é improvável.
Você vem me falar sobre o sim e o não.
Nada é em vão,
Amor
biAh weRTher
Domingo, 16 out 2016
Na foto: André R. Arieta e Cecília.
10 de janeiro de 2016.
Hospital Divina Providência, Porto Alegre.
por biAhweRTher

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